domingo, 28 de setembro de 2008

Até lá?

Local: Álvares Cabral - Vitória, ES
Evento: Show de comemoração de 25 anos de carreira de Titãs e Paralamas do Sucesso
Dia: Sábado
Hora: Noite (por volta das 23hs)
Pensamento: Arquitetura

Bebida é agua
Comida é pasto
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer
(...)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Arte e Cidade

Nos ultimos anos, é perceptivel o crescimento do acesso às artes. Cada vez mais os grandes centros, as grandes empresas, as grandes corporações, os grandes políticos, e outros tantos grandes das cidades vêm tentando se sobressair através da promoção de algum evento artístico. Para o cidadão, uma ótima oportunidade de acesso a uma realidade que muitas vezes não está tão presente em seu dia-a-dia.

Otilia Arantes, em seu livro Urbanismo em Fim de Linha, exemplifica essa massificação cultural com os novos-museus, que por certo não proliferam por um novo e surpreendente surto de amor à arte. É ao processo de culturalização da vida, concomitante ao de comodificação da cultura, a que temos que recorrer para entender o porquê do sem-número de Centros Culturais, Casas de Espetáculo e Museus. O Museu de Bilbao, por exemplo, seria um lance político ou ousadia estética? Ou ainda, quem sabe, uma combinação nada inocente das duas coisas?... Todo este patrimônio cultural, alardeado com estardalhaço, e que exige muita imaginação de arquitetos e urbanistas, vai criando um verdadeiro star system mundial disputadíssimo por um mercado cada vez mais exigente. Paris é com certeza mais rapidamente associada às tubulações coloridas do Beaubourg ou à Pirâmide do Novo-Louvre – imagem esta que hoje quase tem a força do logotipo da Coca-Cola, de tanto que é utilizada em reclames publicitários, especialmente no campo da moda – do que à velha Notre-Dame ou à Torre Eiffel. Aliás, como por contaminação, as próprias cidades foram se transformando em museus, através da estetização da vida urbana encenada nesses novos “espaços públicos”.




Além dessas grandiosas propostas de intervenções artísticas, outras de menor porte, ou talvez mais informais, também buscam se sobressair. Em São Paulo, a alguns anos atrás, iniciou-se o Arte/Cidade, cujo objetivo seria o de valorizar as identidades urbanas através da promoção da arte como lugares únicos. Nelson Brissac diz que pode ser eficaz uma estratégia que pressupõe a cultura como a argamassa capaz de sedimentar mais uma vez o tecido da vida comunitária, rompido pela escala metropolitana da cidade e pela abstração crescente dos processos urbanos e relações sociais. Mais informalidade ainda, talvez na utilização de vazios urbanos, como edifícios não-concluídos. O projeto Topografias Cênicas, parceria dos grupos de teatro Cia. Suspensa e Armatrux + Vazio S/A, explora esse tipo de 'vazio' através de eventos realizados em espaços temporariamente adaptados para receber atores e população.

Em entrevista no programa Manhattan Connection da GNT nesta semana, o artista plástico Vik Muniz, nascido em São Paulo, mas residente em New York, falou um pouco sobre seu trabalho e suas exposições em todo o mundo. Segundo ele, a paisagem mudou, e consequentemente a forma como a encaramos tambem mudou. O entretenimento é parte de todos os eixos da vida, e passou a ser exigido como tal. E o acesso à essa arte, geralmente vista como entretenimento, tem aumentado significadamente. E ele, enquanto artista, tem papel fundamental na difusão dessa arte, e na relação que ela exerce com o cotidiano das pessoas.


Nesta mesma semana, ocorreu em Vitória, ES, um seminário intitulado "Interterritorialidades: Fronteiras Líquidas. Passagens, Cartografias, Imaginários", que vem abrir as inscrições para o concurso de projetos de intervenções urbanas de caráter efêmero e temporário para o 8º Salão do Mar, voltado para práticas artísticas que estabeleçam uma relação interdisciplinar com a cidade, seus espaços e habitantes.


Certamente que todas essas possibilidades de acesso à arte e cultura ainda não são suficientes para que todos sejam atingidos. Porém, este é o caminho. É cada vez mais urgente que haja esse incentivo à facilitação entre população e arte.

domingo, 7 de setembro de 2008

Nossas cidades, nosso habitat...


O que está acontecendo com nossas cidades? Por que este pedaço de terra o qual habitamos tem sido o acusado e o acusador de tantos problemas relativos à vida do ser humano? O arquiteto Richard Rogers nos diz em seu livro Cidades para um Pequeno Planeta que "é uma ironia que as cidades, o habitat da humanidade, caracterizam-se como o maior agente destruidor do ecossistema e a maior ameaça para a sobrevivência da humanidade no planeta". A primeira e mais óbvia constatação a respeito das cidades é que elas são como organismos, absorvem recursos e emitem resíduos. Quanto maior e mais complexas forem as cidades, maior também será sua dependência das áreas circundantes, e maior sua vulnerabilidade em relação às mudanças em seu entorno. Como a maioria das cidades vem apresentando alto grau de crescimento, e conseqüentemente de problemas, a situação está se projetando mundialmente, expressando a preocupação com o futuro de nossos habitats.
O futuro do planeta, e consequentemente da humanidade também é amplamente discutido, e tudo isto está relacionado principalmente à açao do homem na natureza. Em 2006, o ex vice-presidente dos EUA, Arnold Gore, lançou o documentário intitulado An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), que revela de forma espetaculosa a problemática do aquecimento global causado pelo homem. Desde então, diversas publicações de todo o mundo vêm tentando mostrar aos cidadãos comuns o que é verdade e o que não é. Não há certezas sobre a possibilidade de uma reversão total desse quadro, mas é fato que algo deve ser feito. E já! E a nós, o que cabe fazer?



Milhares de artigos trazem possibilidades de ações sustentáveis que podem ser feitas no dia-a-dia, para que tornemos este mundo melhor! Mas as necessidades das cidades vão muito além de fatores ligados à sustentabilidade (na verdade, sustentabilidade já deve ser encarada como uma premícia básica). Estão ligados à política, à economia, à pobreza, à educação, à infra-estrutura, à violência... Tudo isto torna a discussão relativa às cidades uma causa em que não se vê a luz no fim do túnel. Mas e se cada pessoa fosse responsável por solucionar as problemáticas relativas à sua área de atuação? Não me refiro aos políticos, mas sim ao cidadão comum: o médico, o advogado, o empresário, o arquiteto, a dona-de-casa, o economista...

Ao se debater o futuro das cidades, o foco não pode se prender somente em uma municipalidade, mas deve se estender infinitamente. Vivemos em um mundo em que tudo está conectado; cada ação é capaz de gerar impactos diversos, em localidades diversas. Desse modo, deixa-se de pensar em local, e passa-se a pensar em global, mesmo que o objeto de estudo principal seja o local. A cidade deve ser pensada por todos, deve ser vivida por todos, deve ser experimentada por todos, deve ser sentida por todos. Por que não lutar por isso? Que não nos acomodemos à realidade que nos foi imposta...