domingo, 7 de setembro de 2008

Nossas cidades, nosso habitat...


O que está acontecendo com nossas cidades? Por que este pedaço de terra o qual habitamos tem sido o acusado e o acusador de tantos problemas relativos à vida do ser humano? O arquiteto Richard Rogers nos diz em seu livro Cidades para um Pequeno Planeta que "é uma ironia que as cidades, o habitat da humanidade, caracterizam-se como o maior agente destruidor do ecossistema e a maior ameaça para a sobrevivência da humanidade no planeta". A primeira e mais óbvia constatação a respeito das cidades é que elas são como organismos, absorvem recursos e emitem resíduos. Quanto maior e mais complexas forem as cidades, maior também será sua dependência das áreas circundantes, e maior sua vulnerabilidade em relação às mudanças em seu entorno. Como a maioria das cidades vem apresentando alto grau de crescimento, e conseqüentemente de problemas, a situação está se projetando mundialmente, expressando a preocupação com o futuro de nossos habitats.
O futuro do planeta, e consequentemente da humanidade também é amplamente discutido, e tudo isto está relacionado principalmente à açao do homem na natureza. Em 2006, o ex vice-presidente dos EUA, Arnold Gore, lançou o documentário intitulado An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente), que revela de forma espetaculosa a problemática do aquecimento global causado pelo homem. Desde então, diversas publicações de todo o mundo vêm tentando mostrar aos cidadãos comuns o que é verdade e o que não é. Não há certezas sobre a possibilidade de uma reversão total desse quadro, mas é fato que algo deve ser feito. E já! E a nós, o que cabe fazer?



Milhares de artigos trazem possibilidades de ações sustentáveis que podem ser feitas no dia-a-dia, para que tornemos este mundo melhor! Mas as necessidades das cidades vão muito além de fatores ligados à sustentabilidade (na verdade, sustentabilidade já deve ser encarada como uma premícia básica). Estão ligados à política, à economia, à pobreza, à educação, à infra-estrutura, à violência... Tudo isto torna a discussão relativa às cidades uma causa em que não se vê a luz no fim do túnel. Mas e se cada pessoa fosse responsável por solucionar as problemáticas relativas à sua área de atuação? Não me refiro aos políticos, mas sim ao cidadão comum: o médico, o advogado, o empresário, o arquiteto, a dona-de-casa, o economista...

Ao se debater o futuro das cidades, o foco não pode se prender somente em uma municipalidade, mas deve se estender infinitamente. Vivemos em um mundo em que tudo está conectado; cada ação é capaz de gerar impactos diversos, em localidades diversas. Desse modo, deixa-se de pensar em local, e passa-se a pensar em global, mesmo que o objeto de estudo principal seja o local. A cidade deve ser pensada por todos, deve ser vivida por todos, deve ser experimentada por todos, deve ser sentida por todos. Por que não lutar por isso? Que não nos acomodemos à realidade que nos foi imposta...






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