Ao folhear o livro "Não Lugares – Introdução a uma antropologia da Supermodernidade", de Marc Augé, me deparei com alguns trechos interessantes cujo conteúdo já havia de alguma forma estado presente em meus pensamentos, mas que nunca o havia de fato visto registrado em forma de palavras. Me recorda bem a prática de todo ser humano em relação às suas divagações pelo mundo afora, e consequentemente as sensações, sentimentos, ilusões e experimentações que a prática da viagem carrega consigo (de especial importância para o arquiteto).
*Imagem arquivo pessoal - Saint-Germain-des-Prés, Paris, FRA.
"A viagem constrói uma relação ficticia entre olhar e paisagem. E, se chamarmos de “espaço” à prática dos lugares que define especificamente a viagem, ainda é preciso acrescentar que existem espaços onde o indivíduo se experimenta como espectador, sem que a natureza do espetáculo lhe importe realmente. Como se a posição do espectador constituísse o essencial do espetáculo, como se, em definitivo, o espectador, em posição de espectador, fosse para si mesmo seu próprio espetáculo."
(AUGÉ, Marc. Não Lugares – Introdução a uma antropologia da Supermodernidade. São Paulo: Papirus Editora,4ª edição, 2004, p.80-81)
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