terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Paisagem Cultural

Qual o processo de formação das cidades? Sem dúvida, é um processo lento e gradual, formado por diversos atores no decorrer do tempo. A paisagem observada nas cidades não é, de forma alguma, um processo de modelagem imaginado como simplesmente físico. O que diferencia uma paisagem urbana de uma considerada “natural” são os agentes que nela incidem. Agentes como tempo histórico e clima são involuntários. Atuam (e deveriam atuar) desde antes das interferências humanas.
Conforme Côrrea (CÔRREA, 1998, p. 46), sob um determinado clima uma paisagem característica vai-se desenvolver ao longo do tempo . Há um agente dito característico de uma paisagem urbana: o homem. Desse modo, pode-se dizer que a paisagem natural vem sendo submetida a uma transformação nas mãos do homem. E não coincidentemente, as paisagens que mais sofreram alterações são as constituídas por cidades. O meio pelo qual o ser humano se expressa, de forma positiva, é a cultura. Conformam-se, assim, dois tipos de intervenção: não-cultural e cultural. A primeira seria a predatória, ou seja, que não é efetivada em conseqüência das reais necessidades de sobrevivência e de organização, mas que acontece em prol de um objetivo não compartilhado. Já a segunda, através da riqueza agregada, é capaz de construir uma identidade cultural que está diretamente ligada ao seu território. Apesar de a paisagem agregar identidade, a percepção dessa identidade é individual, podendo inclusive ser considerada como um texto cultural, já que os “textos têm muitas dimensões, e oferecem a possibilidade de leituras diferentes, simultâneas e igualmente válidas” (CÔRREA, 1998, p. 101). Cada um é capaz de compreender uma paisagem de forma distinta de outros. Levando-se em conta as transformações culturais, produzidos pelo homem, chega-se ao termo dito “paisagem cultural”.
Segundo Sauer (SAUER, 1983, p. 27), a paisagem, como o processo físico e cultural de formatação da terra, seria uma formatação gerada pelos “fatos do lugar”, e pela análise da constituição, limites e relações genéricas entre paisagens. A paisagem seria definida como um conceito maior que o todo visível de seus constituintes. Suas qualidades físicas seriam determinadas a partir de suas características de habitat presente ou potencial. Deste modo, a cultura seria o agente, a área natural o meio, e paisagem o resultado.
As cidades são, portanto, paisagens culturais, fruto das intervenções culturais (humanas). Se analisadas desse enfoque, percebe-se a riqueza que elas são capazes de traduzir. A cidade é "museu vivo", pois é ela que, através da exposição da arquitetura, da culinária, dos costumes, dos hábitos, das tradições, da lingüística, da arte, revela seu passado de maneira interativa. É necessário estar atento às suas características mais intrínsecas para percebê-la. Alguns pontos são facilmente perceptíveis; outros já são notados após um conhecimento mais aprofundado da história. Logo, "a cidade é potencialmente o símbolo poderoso de uma sociedade complexa. Se for bem desenvolvido do ponto de vista óptico, pode ter um forte significado expressivo." (LYNCH, 1988, p. 15)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Frequência Urbana



Em relação ao conceito de "intervenções", uma opinião que muito me marcou foi a de Nelson Brissac, em sua publicação ARTE/CIDADE. Nela, ele diz que em uma cidade cujo fluxo amplo e complexo representa a dinâmica urbana, intervir se revela como um gesto sobre o que já está em movimento. É como surfar ou entrar numa freqüência. Assim, toda intervenção urbana é, necessariamente, um projeto de alto risco. É tudo ou nada.
(BRISSAC, Nelson. Intervenções Urbanas: Arte/Cidade. São Paulo: Ed. SENAC, 1998, p.12-13)

É realmente interessante, pois uma cidade, ou uma região qualquer já apresenta sua dinâmica, sua movimentação própria... E intervir requer cuidados, estudos e atenção, para que se consiga atingir exatamente a frequencia daquele local, ou seja, suas necessidades, sua realidade e suas qualidades. É um projeto de risco, mas altamente necessário em muitos casos.